quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Depois dos cinquenta ....

 
Depois que passei dos cinquenta resolvi desaprender a viver. Decidi largar ao longo do caminho que me resta a tralha acumulada durante todos esses anos. Vou abandonando velhos hábitos, ensinamentos que me passaram quando andava desavisado, como juntar dinheiro, não falar com estranhos, evitar conflitos. A vida é curta para gasta-la com medos tolos e pessoas fúteis. Procuro gente cuja alma seja vista da esquina. Não preciso procurar muito, encontro este tipo até em fila de banco. Quero aprender a desacelerar, a vida não é a maratona que me disseram. Dá tempo para o cafezinho. Brigar pela janela por quê?.O corredor está ótimo e me dá fácil acesso ao toillete. Sento ali e vejo o mundo passar. Quero falar com estranhos, sim, eles me ensinam tantas coisas... Juntar dinheiro é inútil, quero juntar amigos, amores e sorrisos. Ser honesto até com os que não gostam de mim, quem sabe não se rendem? Ah, e viajar! Aprendo mais fácil quando viajo, quando converso com pessoas que têm a cabeça onde tenho os pés. Seriedade? Há hora e lugar. Na maior parte da vida quero é rir; no trabalho, na rua, no cemitério. Morrer é difícil, rindo deve descer mais fácil. Está na hora de desaprender muitas coisas. Às vezes dá medo de girar o carretel para trás, ler o livro começando pelo fim, mas não tem jeito. Quero desaprender o que o mundo fez de mim, não quero ser uma caricatura, uma obra falsificada. Não quero ser sucesso, basta-me ser autêntico. O tempo tem me ensinado a não ser uma expectativa, um jogo de cartas marcadas; razão porque quero desaprender a viver. Nesta banda que me resta, só quero aprender a ser eu.

Marcio Leite

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