sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Brique do amor

 

                *A campanha de agasalho era dentro de casa. Eu recebia as roupas do irmão mais velho e  o irmão mais novo recebia as minhas roupas. Não havia banho de loja. Fui do tempo que não havia shopping center.
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     Os agasalhos duravam três gerações.  O conteúdo das gavetas mudava de dono e jamais ia fora.
      Acho que temos que recuperar, diante da atual crise financeira, o valor emocional dos objetos  ....*
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                            (parte da belíssima crônica do Escritor gaúcho, Fabricio Carpinejar , publicada em 20/12/2016, no  Zero Hora, que merece destaque e que dá origem a outra crônica, nesse período de festas de final de ano.

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          A crônica de Carpinejar, retrata os meus tempos de criança, éramos felizes com o que tínhamos, era realmente um brique do amor. Tudo passava de um irmão para outro. A economia, bem administrada por nossos pais, não deixava faltar a boa alimentação em casa, mas nada era gasto em supérfluos.  Nossa educação, era em Escolas particulares. Onde morávamos não  existia gratuitas. O Ensino e a educação priorizavam a boa formação e a cultura. Família e escola andavam juntas. Mas, havia o amor, o respeito, um pouco de temor aos castigos. Mas, não havia a insegurança de hoje, onde tudo é facilitado, leis constrangem e são mal interpretadas causando pessoas mal preparadas para a vida.
              As festas de Natal deixaram saudades.   Na noite de Natal, nosso Pai, durante a madrugada, espalhava balas e docinhos pela casa. Quando amanhecia o dia, corríamos felizes, cada um procurando juntar mais balinhas que o outro ( éramos dez irmãos).  Éramos felizes com o que tínhamos.  Na noite de Natal, a famosa Missa do Galo, à meia noite, com apresentação de coral e o belíssimo pinheirinho com o presépio, muitas vezes, o presépio vivo  organizado pelas famílias . Na saída da missa, os cumprimentos entre os participantes.  Desde cedo aprendíamos a praticar a solidariedade, a educação e o respeito.   A confraternização natalina era feita em casa, com preparativos simples, feitos pela mãe, com nosso auxílio. Priorizava-se a data: comemorar o nascimento de Cristo, em primeiro lugar a Igreja, depois as confraternizações.
             Não havia televisão, celular, que hoje roubam os momentos de dialogo entre os familiares.
        Hoje, o consumismo, a propaganda das lojas nos meios de comunicação, levam a preocupação às famílias que não dispõe de condições financeiras em presentear seus filhos, com brinquedos caros. As crianças se frustam em ver seus colegas receberem do Papai Noel, sonhos que eles não podem ter.  E faltam os presentes.  Motivo de frustrações entre as crianças e tristeza para os Pais.
       Atualmente, com a crise econômica porque passam Municípios, Estados e País , até as confraternizações públicas promovidas pela Assistência social, estão se restringindo a apresentações culturais, sem mais a entrega dos pacotinhos de Natal, que há uns anos eram feitos.
       Com o desemprego deste final de ano, roubos, crimes e violência estão aumentando. Não é mais aquele clima natalino de outrora, onde a paz e a segurança permitia a visita aos parques, praças, passeios à noite pelas ruas.  Vivemos um período de muita precaução e as famílias procuram passar essas festas em casa.
        É tempo de retornar ao *brique do amor.., como escreveu Carpinejar em sua brilhante crônica.

                                  (lumah)
         

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